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sábado, 27 de dezembro de 2008

Os Sete Vales (O 7º vale)


E então vem O Sétimo Vale, que é o último, o definitivo o vale dos hinos, o vale da celebração.
Renascimento, ressurreição, acontecem no sétimo vale. É esse o significado da idéia cristã da ressurreição - que Cristo renasceu, renasceu num corpo de glória, renasceu num corpo de luz, renasceu num corpo divino. Agora, não há positivo, não há negativo. Agora, não há dualidade. Um é um. A unidade surgiu - o que os hindus chamam de adwaita. O dual desapareceu. Chegamos em casa.
O vale dos hinos...Al-Ghazzali lhe deu um bonito nome. Nada restou - apenas uma canção, uma canção de celebração, de louvor a Deus, total êxtase. É isto o que eu chamo de orgasmo definitivo.
Se eu fosse dar um nome a este vale, eu o chamaria vale do orgasmo total. Há apenas celebração.
Florescemos, florimos. A fragrância foi liberta. Agora, não há lugar algum para ir. O homem se tornou aquilo que estava buscando, procurando, lutando.
O homem é um paradoxo. Ele não é o que é. Mas, no dia em que você compreender o definitivo, você sentirá um sorriso surgindo no seu próprio coração, porque aí você saberá que você sempre foi isso. Era apenas desconhecido. O futuro estava contido em você, escondido. Você teve que descobri-lo. Estes sete vales são os vales da descoberta.
Este é um lindo mapa. É o mapa sufi.

Os Sete Vales

O homem é um paradoxo. O homem é o único animal, o único ser que é paradoxal - essa é a singularidade do homem. A natureza especial do homem é o seu paradoxo interno. Todos os outros animais são não-paradoxais.
Uma árvore é uma árvore, um cachorro é um cachorro, mas um homem nunca tem tal singularidade. Ele está sempre em formação, crescendo. O homem está sempre se superando; este é o seu paradoxo. E isto existe no mais profundo do seu ser. Não é acidental, é absolutamente fundamental. Uma vez que você entende este paradoxo, você tem o primeiro vislumbre sobre a humanidade - sobre o que é o homem.
O homem é sempre um projeto, um vir a ser. Seu ser consiste em vir a ser - este é o paradoxo. Ele está sempre entre aquilo que ele foi e o que vai vir a ser. Ele está sempre entre seu passado e o seu futuro - uma ponte pendendo entre seu passado e seu futuro. Ele é uma surpresa, uma surpresa contínua. O homem nunca está contente com aquilo que ele é; ele está tentando ir além, sempre tentando ir além. Seja o que for que esteja fazendo, o seu esforço é, basicamente, como se tornar algo mais, algo maior, algo melhor. O homem é um desenvolvimento, um viajante, um peregrino - e a sua vida é uma peregrinação, uma peregrinação sem fim, que continua indefinidamente. Um cachorro nasce, uma árvore nasce...A árvore nasce com toda sua "arboridade" e o cachorro nasce com toda a sua "cachorrez". O homem não é um fato acabado, ele nasce apenas com a possibilidade, com um potencial. O homem nasce como espaço vazio, como uma não existência, nada está escrito.
Todos os outros seres tem uma certa essência, uma certa alma. No homem é exatamente o oposto. A sua existência vem primeiro e depois ele começa a buscar a sua essência. Nos outros animais a essência vem primeiro e a existência depois. Eles trazem um programa pré-determinado; eles nunca crescem, eles permanecem os mesmos. É por isso que parecem tão inocentes, tão despreocupados, tão sem tensão. Olhe para os olhos de uma vaca - quão pacífica, calma e tranqüila ela é. Não há ansiedade, angústia, nuvens. Olhe para os olhos de um homem - eles estão sempre anuviados. Eles sempre tem angústia, estão sempre estremecendo, o tremor de "será que eu estarei apto a encontrar-me ou não?" - o tremor de "será que eu me realizarei ou não?".
Os animais são tranqüilos, o homem é tensão. Esta é a sua glória e a sua angústia também. Esta é a sua dignidade e o seu problema também. É a sua glória porque ele é capaz de criar a si próprio - ele é um deus. E é a sua angústia porque a possibilidade de que ele possa falhar sempre existe, de que ele não seja capaz de criar a si próprio. Quem sabe? É a glória por causa da liberdade - ele não foi programado. Ele é o único animal que permanece sem programa. Não lhe foi dado um mapa, ele não foi ordenado.
O homem é o único ser que não é dirigido, que não tem comandos. Ele chega à existência vazio e então começa a buscar o seu ser as apalpadelas. Ele começa a experimentar, a criar e buscar. O homem é uma aventura.
Mas com a aventura está a incerteza, a insegurança, o fracasso e o medo. Sempre se pode errar. Há maiores possibilidades de se estar errado do que de estar certo. Há mil e um caminhos - qual é o certo? Você está sempre ansioso. E seja o que for que você escolha, a escolha é incerta, porque você nunca poderá ter certeza se este caminho o levará ao seu objetivo ou terminará num beco sem saída - se chegará a algum lugar ou terminará num deserto.
A glória do homem é a sua liberdade: ele pode criar-se, ele pode ser ele mesmo, nada lhe é forçado, ele é livre. E a miséria do homem é a de que ele não pode ter certeza, ele nunca pode ter a certeza de estar no caminho certo, de estar fazendo o que é significativo ou não.O homem é o único animal que fica louco. Ele tem que encarar problemas, resolvê-los, ir além deles. Esta é a primeira coisa que eu gostaria que vocês compreendessem.
Havia um grande mestre sufi - um dos maiores de todos os tempos - Al Ghazzali. Ele dizia: "No caminho do homem até Deus - do homem potencial ao homem verdadeiro, da possibilidade até a realidade - há sete vales". Estes sete vales são de imensa importância. Tente entendê-los, pois você terá que passar através destes sete vales.
Se você compreender corretamente o que fazer com um vale, você será capaz de ir além dele, e você chegará a um pico - porque cada vale é cercado por montanhas. Se você puder passar através do vale, não ficar emaranhado, perdido, se não ficar muito ligado no vale, permanecer indiferente, separado, uma testemunha, e se você continuar a se lembrar que este não é o seu lar, que você é um estranho aqui, e continuar lembrando que o pico tem que ser alcançado, e você não esquecer o pico - você chegará ao pico. Com cada vale cruzado há uma grande celebração.
Mas, após cada vale, você terá que entrar no outro vale. E isso continua. Há sete vales. Uma vez que você alcance o sétimo, não há mais. O homem atingiu seu ser, ele não é mais paradoxal. Não há tensão, não há angústia. É isto que no oriente nós chamamos de estado búdico. É isto que os cristãos chamam de estado crístico. É isto que os jainas chamam de estado "jainico" - tornar-se vitorioso. Há muitos nomes, mas idéia básica é a de que, a menos que o homem se torne Deus, ele permanece em ansiedade. E, para se tornar Deus, estes sete vales precisam ser atravessados.
E cada vale tem as suas próprias tentações. É muito provável que você possa ficar atraído por alguma coisa e não seja capaz de deixar o vale. Você tem que deixá-lo se quiser entrar no segundo vale. E, após cada vale há um pico, um grande pico. Após cada vale há júbilo e o júbilo vai ficando mais e mais intenso. E então, finalmente, no sétimo vale você atinge o orgasmo cósmico - você desaparece. Apenas Deus existe.
Observe estes sete vales e tente compreendê-los. E eu não penso que Al Ghazzali esteja falando sobre algo filosófico. Sufis não estão interessados em filosofia. Eles são um povo muito prático. Se eles dizem alguma coisa é isso que eles querem dizer. Se eles dizem alguma coisa, isso é dito para o buscador. Isso não é dito para os curiosos, para os intelectuais, mas para aqueles que estão no caminho, para aqueles que estão realmente trabalhando duro para ter um vislumbre da verdade. Isso é para os buscadores.